Antes de escrever o post habitual de hoje quero fazer um comentário e dar a minha opinião sobre uma notícia do dia. Foi hoje apresentado um novo programa em que o Estado vai garantir (avalizar) empréstimos a juros bonificados para os estudantes poderem pagar as suas (já muito baixas) propinas.
De uma forma genérica, a medida em si não é muito má idéia. Mas o que me causa alguma confusão foram algumas estatisticas que vi no JN (ou DN) de hoje. Apesar de toda a confusão gerada sempre que se fala em propinas (parece uma vaca sagrada), apenas 20% dos estudantes Portugueses trabalham. Isto é o valor mais baixo de uma lista de onze países Europeus, sendo que o país seguite já apresenta um valor de 30% de estudantes trabalhadores, e a Holanda ocupa o primeiro lugar com um valor de 91%.
Em tempos tive um negócio perto de um Instituto Politécnico e sempre me causou muita confusão ver lá um guarda da Securitas à entrada. Basicamente ele conferia as entradas para o estacionamento. O trabalho que ele fazia podia, e devia, ser feito por 10 ou 12 estudantes em turnos, e desta forma estes estudantes “ganhavam” dinheiro para pagar os seus estudos. Estou em querer que esta situação se repete em muitos (ou todos) os estabelecimentos de ensino públicos e a muitos níveis. Tendo me formado numa universidade pública nos EUA (University of Connecticut), em que o valor anual das “propinas” rondava já na altura os 10 a 12 mil Dolares por ano (com dormida e comida), verifiquei que a maior parte dos estudantes trabalhavam, quer fosse na universidade em si, como “controladores” de habitações, monitores de estudo, na biblioteca, ou cantinas, entre muitas outras funções. Para além daqueles que trabalhavam fora da universidade. Eu trabalhei 3 anos numa espécie de “Continente” lá da zona.
Ainda em relação à notícia de hoje, o Governo vai assumir uma taxa de incumprimento de 10%. Quer isso dizer que 1 em cada 10 não vai pagar! Porque razão 10%? Vamos ter 10% de desempregados entre os recem formados? Estes formados nunca vão trabalhar para o Estado poder recuperar esses valores? Ou o pagamento vai ser “voluntário”? Não são os bancos que vão assumir as perdas. Não vou aqui falar em como isto vai contribuir para o já elevado nível de endividamento, pois uma educação é um investimento e não um bem duradouro.
Pagar 900€ por ano por uma “formação” é uma oferta, já para não falar que 24% dos estudantes recebem apoio. Eu sempre achei que damos muito mais valor as coisas se tivermos que verdadeiramente trabalhar por elas. Como podemos nós, como País, criar “winners”, se tão cedo na vida começamos a depender do Estado?
Em tempos alguém disse: “ask not what your country can do for you; ask what you can do for your country”
Tags: pagamento proprinas, proprinas




Olá Custódio
Isto é um “guest comment” do meu marido Manuel. O raio do PC dele decidiu “morrer”!… Poor thing!
Ainda bem que tocas num problema tão sensível e dás abertamente a tua opinião. Tenho de dizer que concordo em absoluto contigo. Estamos habituados a que o Estado nos ajude nisto, ou naquilo sem nunca pensar nos sortudos que somos pela facilidade de acesso ao ensino e no que podemos fazer pelo país.
Desde cedo que trabalho (13 anos). Trabalhei sempre durante a faculdade e sobrevivi! Enquanto isso assisti a muita gente com facilidades a mais que depois acabou por se ir safando. Mas acreditem que os exemplos de melhores profissionais e pessoas bem sucedidas vem de gente que luta, se esforça!
E com isto quero apenas sublinhar que também na internet é possível ganhar dinheiro. Mas uma coisa é certa: temos de trabalhar e ir à luta. Isto é dito por alguém que, por exemplo, ainda há pouco nada sabia de registo de domínios e neste momento tem vários a valer $1000 e até mais! Não acreditam (depois pago-te umas “pints” Custódio)? Eu também ainda não acredito! Por um deles já me ofereceram $1000, infelizmente quero muito mais…
Acreditem, tudo é possível com trabalho!!!
Um Abraço
Manuel
Bem dito!
“Tenho” aqui um bar Irlandês que em tempos abri, é só dizeres. E no Sabado estive ai para esses lados