OLIVEIRINHA DA SERRA

Aqui vai o terceiro post a concorrer aos mil euros. Isto mais parece um concurso de “misses” com as finalistas a serem anunciadas uma de cada vez. Mais um post “off-topic”, que por acaso era um dos objectivos do concurso (mas também este objectivo não foi conseguido…). Antes de passar ao post quero só lembrar que dentro de menos de uma hora termina o leilão da palavra dinheiro aqui no blog. Fiquem com o post:

O meu primeiro contacto com a pornografia, através de uma revista da especialidade obtida por um colega, aos treze anos, foi um momento de grande alegria, quase uma revelação.

Pela primeira vez eu pude constatar a viabilidade de algumas das minhas mais arrojadas fantasias, até essa altura tão líricas como a hipótese de vir a ser capitão da selecção nacional de futebol. Uma coisa é a gente ouvir dizer da boca de putos como nós, ouvirmos falar das piruetas possíveis a três ou da feliz parceria de números tão insuspeitos como o seis ou o nove. Outra coisa era ver como São Tomé e acreditar tanto que a vontade intensa de experimentar as acrobacias até nos fazia doer a alma.

A pornografia representava para mim um manancial de novas técnicas, associado à reprodução mais ou menos realista de alguns conceitos ‘missionários’ tradicionais. Nada me entusiasmavam alguns dos seus tiques clássicos de abertura ou dos rituais excessivos e insistentes no encerramento das actuações. O meu objectivo consistia em reter, do muito e diversificado material hardcore que passei a coleccionar, as práticas realistas que pudessem alargar os meus horizontes no futuro e afastar, da minha vida sexual ainda em fase de estreia, o papão horrendo da monotonia.

De entre as mais escabrosas ou surpreendentes produções que o mundo XXX me facultou retive sempre um manual que lamento ter-se perdido no decorrer de alguma rusga maternal. Datado do início da década de setenta, o livro combinava textos com ilustrações mas só estas últimas podiam considerar-se pornográficas. Era mesmo um manual de competência técnica, um verdadeiro sex for dummies.
Algum Zézé Camarinha cámone com jeito para a escrita e vocação para consultor, do qual nem o título da obra me ficou, deixou-me para sempre na ideia e na lembrança um exercício que, na minha lógica adolescente da época, fazia todo o sentido levar a sério.
De resto, o autor afirmava-se feliz por poder partilhar o seu método com o mundo e fazia-o com tal convicção que, apesar de não me converter a algumas contorções manhosas, convenceu-me a adoptar o treino das azeitonas.

O treino consistia em girar diariamente uma azeitona entre os dentes, com a língua, por cerca de meia hora, sem a descascar ao longo do exercício. Também dava para fazer com uvas, mas só numa fase mais adiantada do programa (devido à maior fragilidade da respectiva casca). E o experimentado (e, nas suas palavras, bem sucedido) atleta de alcova explicava, por a mais b, os proveitos que resultavam dessa pachorra shaolin, a subida em flecha da cotação de um amante rotinado na arte de bem rodar uma azeitona sem lhe danificar a pele.

Hoje já me resta pouca paciência para a pornografia, até porque as melhores e mais adequadas práticas aprendem-se no mundo real. Mesmo as inovações encontram na pornografia alguma resistência, pois os empresários do ramo parecem determinados em manter a receita (ainda hoje) ganhadora. Apesar de não ser um entusiasta do género nesta fase da minha progressão na aprendizagem, gostava que os putos de agora tivessem acesso a qualquer coisa que equivalesse ao meu manual de treino com azeitonas. Porque nem todos conseguem compreender que a pornografia não deve ser levada demasiado a sério e isso, manifestamente, gera desvios comportamentais pouco saudáveis e que o meu mestre ‘azeitoneiro’ jamais recomendaria.

(Este post está publicado aqui no Blog do Shark. Retirei também a parte que faz referência a este blog e ao concurso. Não serão permitidos comentários nos posts do concurso enquanto não estiverem publicados todos os posts.)

14 comentários em “OLIVEIRINHA DA SERRA”
  1. teresa says:

    podemos usar azeitonas britadas?

  2. susete says:

    !!! E eu menina pudica a comentar um post destes! Essa da azeitona eu não conhecia mas garanto que vou exigir a sua prática por quem de direito. Se calhar e como é tempo delas vou exigir com uvas. Estou de acordo que as práticas no mundo real são mais esclarecedoras mas tens de convir que treno é treino. Já agora e a dar uma de intelectual. Decompondo a palavra pornografia por sílabas achei uma coisa bem interessante:
    por = preposição de MODO
    no = Pronome DEMONSTRATIVO
    gra = adjectivo feminino de grão = GRANDE
    fia = medida de CAPACIDADE
    Daqui se conclui que pornografia quer dizer: MODO DEMONSTRATIVO DE GRANDE CAPACIDADE:
    É caso para dizer: E esta ei?

  3. méri says:

    Lembro-me deste muito bem! E estava ilustrado com muito humor.

  4. ana luisa says:

    (a repetir porque da primeira parece que não funcionou…isto é mesmo difícil de propósito?)

    Frequento o blog do shark e gosto muito do estilo, espero que ganhe pois a causa pela qual estamos a votar é nobre.

  5. Maria says:

    A história de como a azeitona foi elevada a serviço público e fez muita gente mais feliz :)

  6. Ainda posso? says:

    até que enfim que consigo comentar, que foi cá um problema…. nunca conseguia acertar com o resultado da conta mas agora fui buscar uma calculadora e prontos – enganei-os….

    ainda não percebi muito bem essas história da porno qualquer coisa que mete azeitonas e uvas, mas tenho cá para mim que deve ser pouca vergonha e nesta quadra devia ser proibida dizer destas coisas. Tenho é que fazer um pequeno reparo – isto de bons amantes é como os concursos de blogs – se são bons ninguém lhes põe um link que quanto mais publicidade pior, portanto, sim, portanto, a cotação sobe só quando desce a performance e se quer despachar o gajo para as amigas….

  7. joão says:

    Os homens também podem comentar? Só vejo mulheres por aqui. só quero saber se posso fazer essa da azeitona sem passar por azeiteiro.

  8. celia says:

    Este é sem dúvida um excelente post!

  9. Carmo says:

    Li num desse jornais de distribuição gratuita que as oliveiras salvas na Via do Infante e na barragem do Alqueva são exportada para várias partes do mundo como Espanha, Dubai, China e Austrália. Chegam a atingir valores entre cinco a seis mil euros cada. Chegou longe a fama da nossa oliveirinha da serra

  10. Pedro says:

    Boa dica a da azeitona. Isso não aprendi na Gina

  11. J. Carlos says:

    Não vou em revistas prefiro praticar

  12. Catherine Texier says:

    :-)

  13. euzinha says:

    Dizer “voto neste” é considerado um comentário ao post?
    OK! Então eu voto neste.

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